Comemoração

FELIZ ANO NOVO!!

Em primeiro lugar, que todos tenhamos um 2016 cheio de literatura, saúde e paz.

Eu estou começando o ano muito bem: peguei De mãos dadas para reler e fazer a primeira avaliação. Depois de um ano de saudade, e com o conteúdo já ficando meio de lado na memória, estou com um olhar um pouco mais isento para ver se a história é realmente boa, ou se ficou apenas mais ou menos.


Uma resolução para 2016: vou espaçar as publicações do blog. Em vez de três textos por mês, vou me comprometer a fazer apenas um. Assim será mais fácil cumprir. Estou reestruturando umas coisas também, e estou achando que vou mudar tudo por aqui. Na hora certa, eu aviso.


Então é isso, meus leitores e amigos: Feliz 2016 para todo mundo!

APENAS SEIS ANOS

Mais um aniversário do blog. Faz seis anos que eu comecei a me aventurar nesse território da publicação virtual, trazendo para meus leitores curiosidades sobre meus livros, reflexões sobre meu método de criação e novidades várias sobre o livro que estou escrevendo no momento. Tem sido uma experiência interessante, embora muitas vezes me pareça que estou aqui conversando com as paredes, pois meus textos são vistos, mas pouco comentados. A sorte é que eu sou teimosa e prossigo de qualquer jeito, atolada na lama até os joelhos ou remando contra a maré. Não importa, eu estarei aqui, jogando minhas palavras ao vento (clichê!) na esperança de que alcancem alguém.
 
Não é fácil ter assunto para seis anos de textos. Como são três por mês, são 36 textos por ano. Em alguns anos, publiquei a mais; em alguns anos, publiquei a menos, então não basta multiplicar 36 por 6 para saber quantos textos estão publicados aqui. A conta vem a ser mais complexa.
 
Cheguei a pensar em começar hoje meu novo livro (a história de Rodrigo, ainda sem título) mas isso seria assumir um compromisso que eu não daria conta de cumprir da forma como gosto: escrever sem parar. Como ainda estou cuidando da publicação de Construir a terra, conquistar a vida, não quero desviar minha atenção com uma atividade muito mais absorvente como é o processo de criação e escrita. Então deixo para começar depois. Não tenho pressa.
 
Feliz aniversário do blog para mim que escrevo e para vocês que leem. 

DE REPENTE, 30

Este mês faz 30 anos que eu resolvi que escrever histórias era uma atividade interessante e algo que eu gostaria de fazer intensamente. É claro que eu não podia imaginar que 30 anos depois eu estaria falando sobre isso, ainda mais num blog. Pois é, há 30 anos atrás, não existia internet e nem mesmo computador pessoal como os conhecemos hoje. Muita coisa mudou no mundo em 30 anos e eu também mudei muito durante esse tempo. Cresci, estudei, casei, mudei de casa várias vezes, aprendi muitas coisas, me tornei mãe. Minhas histórias acompanharam esse percurso de vida, crescendo, estudando, aprendendo, mudando, formando famílias. É interessante ver os textos que eu escrevia há 30 anos atrás. Pensando melhor, é tenebroso ver esses textos. Eu era apenas uma adolescente imatura e as histórias mal-contadas refletem isso. Hoje vejo adolescentes (meninos e meninas) de 14 e 15 anos que escrevem muito melhor do que eu escrevia com a mesma idade. Talvez porque eles estão intencionalmente escrevendo um romance e, portanto, conscientes e atentos à estrutura e aos elementos do gênero. Eu nunca escrevi livros; a vida toda escrevo histórias, que no decorrer da escrita se mostram contos, novelas e romances, e depois viram livros. Tudo realmente informal, no fluxo do inconsciente. Os elementos necessários aos gêneros vão entrando no texto devagar e de forma automática durante a escrita, ou analiticamente durante as revisões.
Meu método e procedimentos também mudaram, amadureceram, consolidaram-se e hoje são muito mais consistentes e refletidos do que há 30 anos atrás. Eu agora sei o que fazer com uma ideia, como construí-la e desenvolvê-la, como trabalhar os temas e amadurecer as personagens.
Os objetivos mudaram também e, se no início eu queria revolucionar a história da literatura brasileira, hoje fico feliz por escrever o que alguns chamam de literatura de entretenimento. Há um certo preconceito nessa denominação, como se fosse uma forma menor de literatura, mas hoje isso não me incomoda mais. O importante é fazer bem feito, e esse é meu empenho.
Chego então aos 30 anos com os seguintes números:
– 311 ideias registradas
– 141 histórias criadas (com começo, meio e fim)
– 23 histórias sobreviventes, que se dividem em:
            – 2 contos
            – 3 romances de cavalaria
            – 18 romances ou novelas
– 10 histórias suspensas (aguardando eu resolver algum problema estrutural para poder escrever)
– 20 histórias sobreviventes escritas
– 8 histórias publicadas: O destino pelo vão de uma janela, O processo de Ser, Pelo poder ou pela honra, O aro de ouro, Nem tudo que brilha…, O maior de todos, Primeiro a honra, A noiva trocada.
– 11 histórias na fila de publicação: Construir a terra conquistar a vida, Vingança, Amor de redenção, Não é cor-de-rosa, O canhoto, Biblioteca de Kerdeor (Romance em prosa do Cavaleiro de Nova Gália, História da vingança do bretão, Os Cavaleiros Cantores), O cisne (conto), Labirinto vital (conto), O Além (conto).
– 1 história escrita aguardando avaliação: De mãos dadas.
– 4 histórias aguardando para serem escritas: Rodrigo – que vai gerar 3 livros, Amnésia.
Durante esses 30 anos, passeei pelos gêneros – conto, crônica, novela, romance, poema – e por sub-gêneros – histórico, urbano atual, ficção científica, alegoria, policial, suspense, fantasia. Me diverti muito com todos eles, abandonei uns, demonstrei preferência por outros. A predileção pelo romance histórico parece óbvia mas não é real: também gosto bastante de ambientar histórias no presente da minha cidade; gosto de andar por onde minhas personagens andam, de ver o que elas veem. Gosto de me estender nos romances, mas também de ser rápida e objetiva nas novelas. Então, na verdade, apenas gosto de contar histórias, de preferência longas, em que as personagens possam desenvolver e mostrar suas personalidades, de forma que sejam amadas ou odiadas pelos leitores.

Não sei como estarei daqui a trinta anos, quantas histórias terei inventado, quantos livros estarão publicados. Mas espero poder voltar aqui (ou ao que existir na época, no lugar dos blogs atuais) para contar a vocês.

OUTRO ANIVERSÁRIO DE NOVO

Hoje faz exatamente 450 anos que a Mui Leal e Heróica Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro foi fundada pelo bravo Estácio de Sá, acompanhado de outros portugueses corajosos, incluindo nesse grupo também alguns Jesuítas. É uma data memorável para todos os cariocas e para todos os que moram aqui e, porque não?, para todos os que, mesmo sem terem nascido nem estarem morando, são também encantados com a beleza desta parte do mundo que, segundo Fernão Cardim, “tem uma Bahia que bem parece que a pintou o supremo pintor e architecto do mundo Deus Nosso Senhor. E assim é cousa formosíssima e a mais aprasível que há em todo o Brasil” (Tratados da terra e gente do Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia, São Paulo: USP, 1980. p. 170).
 
E hoje faz também 423 anos que minha história Construir a terra, conquistar a vida acabou (conforme contei aqui). Tudo bem, foi um longo dia 1/3 que só terminou na tarde do dia 2/3. Tempo psicológico é assim: o referencial é a pessoa que está passando pela experiência, e não o relógio, ou qualquer outra forma de medição do tempo. A grande sequência final da história começa no dia 1/3, quando Duarte e sua grande família – que, além de toda a família de Fernão, a essa altura inclui também filhos e netos – aproveitam o dia festivo para um passeio (piquenique) à região do Rio Carioca, onde, ainda nos idos de 1567, Duarte conheceu Ayraci. A história termina assim, no piquenique. Ali todas as pontas são amarradas, tudo é solucionado. E a sequência se estende noite adentro – ninguém dorme – e segue pelo dia seguinte. Então, se ninguém dormiu, o dia 1/3 não acabou. Ele entrou pelo dia 2/3 e incorporou-o.
 
Então eu, no meu delírio autoral, sempre fico achando que as comemorações civis e religiosas desse dia, até hoje, de alguma forma rememoram e celebram o que aconteceu naquele dia 1/3/1592. Assim seja, Duarte! Que seu nome fique gravado para sempre junto dos bravos heróis portugueses que deixaram sua terra para virem construir nosso Rio de Janeiro. Como você previu, sempre que alguém (eu) fala “Estácio de Sá”, também fala “Duarte Correia”, herói da cidade. E assim será, enquanto o aniversário da cidade for dia primeiro de março.

VOLTA AO BLOG

Eis que começa o ano de 2015. O blog esteve desativado desde setembro, porque eu não estava conseguindo dar conta de todos os meus compromissos – afinal, eu tenho muitas vidas além da literatura. Mesmo na literatura, escrever romances é mais importante do que escrever textos para o blog então, na hora de escolher, sacrifiquei o blog.
Pode parecer que é mais fácil escrever para o blog do que escrever romances, mas apenas no quesito “tamanho do texto”. Os textos que publico aqui passam pelo mesmo processo de elaboração que uso para escrever meus romances: criação, estruturação, planejamento, redação, releituras, revisões, reescritas, avaliações; e ele precisa ficar de lado uns cinco dias antes da última avaliação para finalmente ser publicado. Seria inconsequente de minha parte simplesmente abrir a página do blog, digitar o que me vem à cabeça no momento e apertar o botão “publicar”. Imagino que para muitos blogueiros o procedimento seja esse mas eu faço as coisas conforme as minhas limitações e tenho consciência de que meu primeiro rascunho definitivamente não é um texto finalizado. Não invejo quem escreve e logo publica: cada um tem seu processo e capacidades próprias. E, se eu não tenho talento para escrever um texto muito bom logo de primeira, ao menos tenho talento para melhorá-lo durante o processo que termina com a publicação.
Durante esses três meses em que fiquei sem o compromisso de tentar publicar alguma coisa aqui, pude organizar as atividades do blog para este ano. Ajudou muito ter acabado de escrever De mãos dadas (assunto do texto do dia 11/1), que liberou meu tempo de escrita para a produção de textos para publicar aqui.
Este ano vou aplicar ao blog e à página no Facebook algumas sugestões que colhi em textos de marketing. Espero, desta forma, divulgar melhor meus livros. Então, este ano teremos promoções exclusivas, e-books, descontos nos livros impressos. Mas só para quem realmente me seguir de perto. As promoções e novidades serão para meus seguidores do Facebook (siga-me aqui) e para e-mails cadastrados (cadastre-se aqui). Assim, continuo com meu sistema de três publicações mensais no blog, e consigo fazer as ações de marketing. Uma coisa não vai interferir na outra.
Este ano finalmente vou mesmo lançar Construir a terra, conquistar a vida, em e-book e livro impresso. Assim que tiver data, eu aviso a vocês.
Então a agenda para este ano ficará assim:
Dias 1, 11 e 21 – publicação no blog
Dia 10 – lançamento de e-book e promoção de livros impressos (aviso por e-mail e Facebook)
 
E Feliz Ano Novo para todos nós!!

CINCO MAIS TRÊS – ANIVERSÁRIOS

Nem sempre as coisas acontecem conforme o planejado e o desejado. A tarefa de terminar de escrever De mãos dadas hoje se mostrou grande demais para o tamanho das minhas pernas. Não consegui sequer terminar a cena importante, longa e detalhada de dezembro de 1927, quanto mais entrar em 1928, que é quando a história acaba. Bem, “rei morto, rei posto”. Então, se um desejo não foi alcançado, já ponho outro no lugar: acabar de escrever até o final de 2014. Isso me dá tempo suficiente para fazer o que tem que ser feito: levar a história até seu final, voltar para preencher as lacunas que deixei para trás incluir as cenas que esqueci de escrever, e ler tudo para conferir que não falta nada. E só então colocar o ponto final. Não dava pra fazer tudo isso em um mês.
Terminar hoje não era realmente fundamental, mas apenas uma forma de criar uma “curiosidade”: acabar de escrever no mesmo dia em que comecei, o que faria a conta ficar “redonda” e eu poderia dizer “levei três anos exatos”. Nada tão importante, na verdade.
Deixando de lado a parte do “não consegui”, falemos das coisas boas: a história está, sim, chegando ao fim e, portanto, as cenas finais estão sendo elaboradas em seus detalhes. Dessa forma, o que era apenas uma linha mestra, uma meta, vai se tornando cena com ações e sentimentos. O “osso” vai ganhando “carninhas”. Os conflitos restantes estão prestes a se resolver – o principal na cena longa que estou fazendo. Depois são mais uns meses – até maio de 1928 – para amarrar todas as pontas e arrematar a história na cena final, uma cena-resumo que traz elementos importantes do passado e aponta para o futuro. Estou prestes a me despedir de Toni e dá aperto no coração pensar nisso. Do meu ponto de vista, são três anos juntos. Do ponto de vista dele, são quinze anos juntos. Vai ser difícil trancá-lo numa caixa por um ano, tirar férias, escrever outras coisas, e só voltar a Toni em 2016. Sempre é difícil mas eu consigo. Foi assim também com O canhoto, Construir a terra, conquistar a vida, Não é cor-de-rosa, Amor de redenção, só para citar os mais recentes. Afinal, repetindo o “rei morto, rei posto”, tenho que acabar de diagramar Construir a terra, conquistar a vida e decidi mesmo escrever o dilema de Rodrigo e sua namorada “pouco convencional”. Acho que vai ser interessante entrar no universo adolescente contemporâneo (Rodrigo tem 14 anos) e falar de preconceito, bullying, escolhas de vida.

Bem, tudo isso é para dizer que hoje é aniversário do blog. Faz cinco anos que eu venho aqui repartir com vocês meus dramas e alegrias literários, contar as histórias das minhas histórias e refletir sobre meu processo de criação. Obrigada a quem me acompanha com regularidade. Obrigada a quem vem aqui só de vez em quando. O blog não tem sentido sem a companhia de vocês. Meus leitores são meu presente de aniversário. Parabéns para nós.

QUASE 30

Eu tinha planejado publicar hoje um texto falando sobre como foi que eu cheguei à dedicação ao romance histórico. Escrevi duas páginas inteiras para ao final concluir que eu não “cheguei” ao romance histórico. Não é o único tipo de romance que eu escrevo, nem o que eu mais escrevo. Nunca foi e não acredito que venha a ser, porque não estou fechada a outros tipos de romance, nem mesmo a outros gêneros. A qualquer momento posso escrever uma história ambientada na atualidade (como meus dois projetos a escrever assim que eu acabar De mãos dadasAmnésia e a História de Rodrigo), posso escrever um conto (como O Além, escrito em 2010) e – quem sabe? – até um poema. Não posso nem mesmo dizer que o romance histórico é o que eu gosto mais de escrever porque, se assim fosse, eu não escreveria outras coisas – digamos que sou mesmo hedonista quando o assunto é literatura. O que acontece é que meus últimos romances escritos e publicados por acaso são históricos, então eles ficam mais presentes na memória.

Depois de toda essa reflexão, decidi comemorar meus 29 anos de carreira com este texto curto, sem históricos longos, sem estatísticas. Quanto mais o tempo passa, mais prazerosamente se torna o escrever, então feliz aniversário para mim!

2014, AFINAL

Primeiro dia do ano é propício a um balanço do que aconteceu no ano anterior, e a traçar metas para o ano atual. É o que tenho feito todos os anos, e o que pretendo com este texto também.
2013 foi um ano difícil em termos de resolver a equação “quantidade de coisas a fazer” / “quantidade de tempo disponível”. Este ano de 2014 a situação não deve ficar muito diferente, pois eu continuo envolvida com meus dois “gigantes”: Duarte e Toni. Em relação a Duarte, penso que consigo resolver tudo este ano, com uma linda publicação. Já Toni está mais complicado, pois ainda tem muita, muita coisa para acontecer, então estou chegando à página 600 sem perspectiva de final. Comecei 2013 escrevendo a página 294 e hoje vou completar a página 598, o que significa que, em 2013, eu escrevi 304 páginas, muito mais do que em 2012, quando escrevi apenas 194 páginas. Realmente já tinha percebido que este ano a carga de trabalho foi bem maior…
Por conta dessa falta de tempo, abandonei quase todos os grupos de discussão, só restando o Fórum Escreva Seu Livro (retirei o link porque o fórum também já está extinto), onde ainda vou nem que seja para ver o que estão dizendo meus amigos. Percebi que muitas pessoas usam as comunidades literárias apenas para se promoverem e fazerem propaganda de seus livros e seus blogs, e não para falar de literatura, discutir técnicas e processos – que é o meu interesse, e do pessoal do Escreva Seu Livro. Então me afastei das “comunidades-classificados” para não perder meu raro tempo com o que não me interessa.
Os blogs dos amigos, infelizmente, ficam no final da minha lista de prioridades e, por isso, não sobra tempo para eles. Em 2013 não tive tempo nem para desenvolver os textos do blog! Em 2012 e 2013 eu me propus e começar a fazer leitura crítica, mas é algo também que a falta de tempo não permitiu.
Então, sem sonhos de grandeza, e esperando colocar o chapéu somente onde minha mão alcança, anuncio minhas metas para 2014:
1)     publicar e lançar Construir a terra, conquistar a vida;
2)     continuar escrevendo A história de Toni (ah, já quase tenho um título para ela. Sabia que o retorno de Rosa à trama me ajudaria nesse ponto);
3)     escrever para o blog mais do que notícias de em que ponto da história estou, e publicar com a regularidade prometida (dias 1, 11 e 21);
4)     continuar conversando sobre literatura com pessoas interessantes (que não estão só no Fórum).

Enquanto isso, Feliz Ano Novo a meus leitores e amigos.

RELATÓRIO DE PROGRESSO – 24 MESES

E não é que De mãos dadas está rendendo? Em número de páginas e em tempo gasto a escrever. Já está ombreando com Construir a terra, conquistar a vida, que tem 895 páginas e que eu levei seis anos para escrever. Em Construir a terra, conquistar a vida, era a vida das muitas personagens que me alongava; em De mãos dadas, são os eventos históricos: só a Revolução Paulista de 1924 me custou mais de 40 páginas.

No momento, estou em 1924, já na terceira fase, preparando Toni para voltar à fazenda e reencontrar Rosa. Esse reencontro vai dar “panos para mangas”, pois são muitos anos de afastamento para colocar em dia, muitos eventos a serem contados e explicados de parte a parte. Cada um terá que se colocar no lugar do outro para compreender a complexidade da situação do outro, de forma que o amor entre eles continue prevalecendo.
Embora o narrador seja em terceira pessoa, o ponto de vista da história é Toni. Ele não tem notícias da Rosa, nem o leitor. Que Rosa Toni vai encontrar quando voltar? Terá se mantido fiel à promessa de esperar por ele? Terá morrido de Gripe Espanhola? Toni confia, apenas confia, e só saberá de tudo (e o leitor também) quando estiver novamente na fazenda.
A primeira fase da história durou da página 1 à página 125 e foi apenas uma pequena introdução às personagens e seus objetivos, à determinação de Toni e às suas dificuldades. Na página 125, aparece Letícia, com uma reviravolta escondida na manga, e permanece até a página 398, que é quando acaba a segunda fase (total de 273 páginas, portanto). Há agora uma espécie de interlúdio, nesse início de terceira fase, até que Toni entre no trem de volta para São Carlos. São alguns eventos importantes, que consolidam a segunda fase e preparam o reencontro com suas origens e a retomada de seus objetivos. Não faço ideia de quantas páginas terá, nem quanto tempo levarei para escrever. Já estou na página 434 e tenho a impressão de que a história, de fato, só vai começar quando Toni estiver de novo na fazenda, com Rosa. Então já estou me preparando psicologicamente para mais um tijolinho, que eu terei que publicar em três tomos (que é o caso de Construir a terra, conquistar a vida).
Bem, hoje é aniversário do Blog também, que completa quatro anos. Não dá pra pensar em direcionar os textos para outros assuntos, porque continuo escrevendo De mãos dadas, que é minha prioridade na divisão do tempo. 
Agradeço a companhia de quem está sempre por aqui e espero continuar mantendo o interesse de vocês com textos que falam das dificuldades e alegrias de quem se mete a reinventar mundos e a inventar vidas. Um escritor não é nada sem seus leitores, e eu gosto muito de seus comentários, perguntas e críticas. Então Feliz Aniversário de leitura deste Blog pra você!

TRAJETÓRIA

Quando eu comecei a escrever, em abril de 1985, eu fazia um pouco de quase tudo – romances, contos, crônicas, poemas livres. Saía escrevendo sem me preocupar com gêneros, que eram definidos depois: ficou em verso, é poema; ficou curto, é conto; ficou maiorzinho, é romance; ficou curto e tem relação com a realidade, é crônica. Como eu não sabia aplicar as formas características de cada gênero, o critério era assim, bem simplório mesmo. Mas, com o passar dos anos, à medida em que eu ia aprendendo a usar as formas, eu fui abandonando uns gêneros, e outros foram me abandonando. A crônica foi a primeira, porque não levo jeito para falar da realidade. Depois foi a poesia, porque versos livres facilmente se tornam prosa. O último que eu deixei de lado foi o conto, quando eu percebi que não sei usar bem as características formais dele. Também era necessário focar para aperfeiçoar. E assim, me sobrou escrever romances. É claro que não estou proibida de escrever outros gêneros – outro dia mesmo, escrevi O Além em forma de conto – mas meu cérebro vem se programando ao longo dos anos para pensar em forma de romance.
 
Quando eu comecei a escrever, em abril de 1985, o texto não era para ser lido, mas apenas um roteiro para que eu soubesse contar a história. Era simplesmente uma narração dos eventos, sem descrições, sem diálogos. Então, às vezes, aconteciam coisas assim: “eles conversaram a noite toda e resolveram se casar”; ou assim : “Sílvia ligou para Charles e eles combinaram de se encontrarem no Shopping. Passearam, foram ao cinema, lancharam e Charles deixou Sílvia em casa” (o verdadeiro não é exatamente assim mas é bem parecido); e a grande pérola é uma cena de Sahara, onde está escrito apenas “cena do balcão ou noite da sacada” para resumir uma das cenas mais importantes de toda a história; nela havia ações e diálogos fundamentais para o desenvolvimento da trama e, depois de 28 anos, obviamente não lembro mais dos detalhes para contar como foi essa cena. Com a experiência, percebi que o texto tinha que “ficar de pé sozinho”, e que tinha que funcionar para leitura de outras pessoas, então fui acrescentando descrições e diálogos, além de detalhes à narração. Nunca fui boa para escrever descrições estáticas, além de achar a leitura delas cansativa. Gosto de descrever ação, e contar o que as pessoas estão conversando, então foi o que busquei desenvolver e aperfeiçoar. Além disso, é no encontro e na conversa que as relações humanas acontecem, e são elas que me interessa mostrar. Hoje é difícil alguém pegar um livro meu sem comentar imediatamente “nossa, quantos diálogos!” No começo, essa observação me assustava um pouco, e eu ficava pensando “puxa, será que focar nos diálogos é errado?” mas hoje vejo como um elogio: meu estilo é facilmente identificado. É uma característica que venho desenvolvendo na minha escrita: a capacidade de dar todas as informações necessárias ao leitor durante as conversas das personagens. Meus diálogos vêm ganhando consistência e conteúdo, e se tornam fundamentais para a história. Toda vez que não tenho como montar um diálogo para dar a informação, e preciso dá-la pelo narrador, fico com a impressão de estar sendo didática e maçante. Prefiro ouvir a voz das personagens, em vez do chato do narrador. Dessa forma, não estou mais contando a história daquelas personagens, mas mostrando o que está acontecendo com elas. Fica mais visual. Acho mais eficiente e mais agradável. Penso que meus leitores concordam comigo.
 
Quando eu comecei a escrever, em abril de 1985, queria mudar os rumos da literatura nacional e ser imortal  da Academia Brasileira de Letras. O tempo me mostrou que há espaço no mundo para todo tipo de contador de histórias, e todos eles têm sua importância. A experiência me fez reconhecer que há muitos escritores melhores do que eu mudando os rumos da literatura nacional, e que pertencer à ABL não é a única glória do mundo. Hoje quero apenas contar minhas histórias do meu jeito, e encontrar leitores para elas. Gosto de ter feedback, inclusive para ouvir “não gostei” e “queria um final diferente” e o recente “esse deus-ex-machina que você usou ficou muito forçado”. É bom saber que as pessoas leem com atenção, se apegam às personagens, e criam expectativas de final.
 
Quando eu comecei a escrever, em abril de 1985, tinha medo de que fosse só uma fase, e que as ideias acabassem um dia. Hoje sei que é uma fase, sim, mas uma fase bem longa, que já dura 28 anos, e que ainda vai durar a vida toda.