ESCREVER SOBRE A ROTINA

Muitos de meus romances provavelmente poderiam ser classificados como romance de ação, pois eu gosto de focar na sucessão de eventos relevantes. Eu estou sempre contando o momento da vida daquela personagem quando ela está decidindo o rumo de sua vida, tomando decisões, resolvendo conflitos com a sociedade e consigo mesma, superando todos os obstáculos que eu e a vida colocamos na frente dela.

Uma história eu quis fazer diferente e contar justamente uma vida sem grandes conflitos, sem grandes feios e eventos – quis falar da rotina da vida comum. Essa história foi Construir a terra, conquistar a vida. Acho que por isso precisei de tantas páginas (895 manuscritas) pois falar do cotidiano dá mais trabalho do que destacar eventos importantes, mesmo sem contar os dias um por um. Bem, essa história também tem a particularidade de falar da vida de duas gerações: com mais personagens, com certeza se tem mais páginas.

Escrever sobre a rotina pode se tornar enfadonho e cansativo, pois a primeira impressão é de mesmice e repetição. E aí está a graça: um dia nunca é igual ao outro. E há os eventos meteorológicos e históricos que interferem na vida das personagens e ajudam a fazer que os dias sejam diferentes. Então, uma história sobre a rotina não é uma história monótona, e serve até de reflexão para nós tomarmos consciência de que nossa vida não é rotina, não é mesmice, não é repetição, mas cada dia é diferente e único para a história da vida de cada um de nós. Cada dia de nossa vida é um livro, original e interessante, que nós escrevemos, da melhor forma que podemos, tentando fazê-lo único e maravilhoso. Assim foram as vidas de Duarte, Fernão e suas famílias: rotineiras, monótonas, maravilhosas e interessantes.

Posted on: 22 de julho de 2011Mônica Cadorin

One thought on “ESCREVER SOBRE A ROTINA

  1. Eu gosto de escrever sobre o cotidiano, tanto que penso numa cena pequena, e ela termina ficando enorme quando escrevo. Claro que eu não narro tudo igualzinho, mas certos detalhes que poderiam ser ignorados por outros autores.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *