ESCREVER SONHOS

É uma prática comum. Assim nasceram várias histórias. Algumas são sobreviventes e três estão publicadas: O processo de Ser, O Aro de Ouro e O maior de todos. Naturalmente, a história é maior do que o sonho, que se torna mera ideia inicial, e que pode aparecer descrito em qualquer parte da história. No Processo de Ser, ele aparece logo no início, o salvamento da primeira cena, e as atitudes de Piotr durante toda a história. No Aro de Ouro, é o final, compreendendo as três cenas do final (mas há no final também cenas e detalhes que não estavam no sonho). No Maior de todos, o sonho é o ponto de virada no desenvolvimento da trama, o motivo que leva Legrand a sair da Corte.
 
Das histórias que estão na fila de impressão, somente uma foi baseada num sonho: Vingança. Nela, o sonho foi o fato gerador do desejo de vingança, que é contado quase no final da história.
 
Alguns sonhos permanecem em suspenso, e um dia ainda vou escrever algumas das histórias que eles me inspiraram. Gosto particularmente de Doze figuras de bronze – me falta o nome e a característica para todas elas – e de uma que eu chamo de “morto que volta”, que eu queria situar no Brasil colonial mas que só parece caber na Europa medieval. Gosto também de Desencontro, uma proposta diferente da minha prática: em vez de contar como as duas personagens principais se encontram, eu conto como elas vivem em desencontro, mesmo quando estão juntas. Outra história, que eu chamo de “Rosinha”, só se tornou interessante quando eu reinventei, alterando completamente o final, em relação ao sonho que a inspirou. Mesmo assim, ainda tenho dúvidas quanto ao final já inventado, por isso não a escrevi [editado: já escrevi Rosinha, e ficou com o título de De mãos dadas].
 
Um grande número de histórias baseadas em sonhos foram escritas e descartadas – inclusive aquela primeira, de 1985, que deu origem ao vício de escrever, e outras foram descartadas sem nem chegarem a ser escritas. Como eu tenho o hábito de voltar ao que já tenho criado para reinventar, até conseguir algo que valha a pena ser escrito e depois publicado, senti a necessidade de registrar o resumo da estrutura criada, às vezes até com alguma frase mais marcante de narração ou de alguma personagem, para que eu não precise confiar na minha memória, que já não consegue guardar tanta coisa.
 
É importante frisar que a história inspirada num sonho não é o sonho em si. O sonho é apenas o fato gerador, como pode ser uma cena ocorrida na rua, no ônibus, em casa; uma ideia ao se ler um livro ou assistir a um filme.
Posted on: 1 de julho de 2009Mônica Cadorin

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