FLASHBACK

É um recurso que não costumo usar. Prefiro usar a sequência cronológica e contar os eventos do mais antigo para o mais recente. Usei apenas duas vezes, sendo que, em Nem tudo que brilha…, o flashback se resume a um diálogo curto para explicar como o casal combinou adquirir a casa em que moram.

Flashback verdadeiro então só fiz em Amor de redenção, quando escrevi um capítulo inteiro para contar fatos do passado que explicam a fixação de Ágila por Camila. Aliás, esta é uma história temporalmente interessante, porque foi a única vez que a história passou por mim. Ela começa no passado, passa pelo presente e só termina no futuro. Foi assim: comecei a escrever no final de maio, e fiz a primeira cena acontecer no início de maio. O capítulo II é o flashback, que acontece no século VI. Depois eu volto para o presente, e vou contando linearmente. Mas houve uma hora – as férias de julho de Camila, que contei em dois parágrafos, em que a história passou à minha frente: eu estava no mês de junho e Camila já estava de volta às aulas em agosto. Lembro que, a certa altura, perguntei a um colega de trabalho: “você acha que no dia 14 de agosto vai chover?” É claro que ele me olhou sem entender nada e educadamente respondeu “não sei”. É que nós estávamos vivendo no mês de junho, mas a história já estava acontecendo no mês de agosto. E, como é uma história de longa duração, eu a projetei para o futuro, contando resumidamente o que acontecerá às personagens durante os anos seguintes, pois é no futuro que o conflito de Ágila será realmente resolvido. Então hoje a história, embora terminada no papel, ainda está acontecendo.

 

Posted on: 11 de agosto de 2009Mônica Cadorin

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