História da vingança do cavaleiro bretão – trecho

  

Agora que podia usar uma espada, Linart queria buscar sua vingança, mas o pai sempre arranjava um motivo para não deixá-lo partir. Um dia, impaciente por conseguir o que queria, Linart reclamou com o pai:

– Não vou ficar aqui, tendo um mundo inteiro para correr.
– A produção não foi boa este ano. -desculpou- Talvez no próximo ano…
– Quereis que eu seja o herdeiro… Eu não vou ficar, pai.
– Sei que é necessário para a fama de todo bom cavaleiro viver aventuras, mas deves entender que preciso de ti.
– Meus irmãos deixastes partir. -queixou-se.
– Por isso mesmo. Eles se foram, não sei quando voltarão. Infelizmente, não sei nem mesmo se voltarão. Sei que és impetuoso, Linart, mas eu só tenho a ti.
– Pai, não entendeis? eu não posso ficar aqui.
– Sacrifica teu orgulho de jovem para dares uma velhice tranqüila a teu pai.
– Pai… -tinha que contar- Rodreve foi morto injustamente. Eu jurei vingá-lo. Sacrificai vossa velhice tranqüila pela honra de um filho vosso.
– O que estás dizendo, Linart? -ele se assustou com a revelação.
– Rodreve foi morto à traição. Eu estava lá, eu vi.
– Mas foi Sir Tristan de Leonis quem o matou.
– Sim, covardemente.
– Sir Tristan de Leonis não age assim. Ele é um cavaleiro honrado.
– Não foi contra Rodreve. Pai, eu vi. Se não acreditais, perguntai a Denisalt. Ele estava comigo, ele viu.
– Não disseste nada…
– A vingança é minha. Se eu dissesse, iríeis mandar alguém contra ele. Eu quero matá-lo, pai.
– Só Sir Lancelot conseguiria bater-se contra Sir Tristan e permanecer vivo.
– Eu também o farei. Se não for possível, quero morrer tentando.
– Tu és muito jovem ainda, Linart. Sir Tristan tem muita experiência. Por isso ele é um dos melhores cavaleiros do mundo.
– Deixai-me morrer tentando, pai! -ele se ajoelhou em frente à cadeira em que o pai estava sentado e implorou- Deixai-me ser fiel ao juramento que fiz, sobre o corpo sem vida de meu irmão!
O velho senhor pensou longos minutos. Apesar de impaciente pela demora, Linart apenas olhava para o pai. E ele deu a resposta:
– Não quero perder todos os filhos que tive.
– Pai!
– Mas devo reconhecer que teu pedido é justo. Vai, Linart, vinga teu irmão e cumpre tua palavra. Se conseguires, volta, e conforta os últimos anos de teu pai.
Linart sorriu, eufórico pela decisão do pai.
– Eu voltarei, meu pai. Assim que eu matar Tristan, voltarei e não sairei mais de junto de vós. Prometo que não vou querer mais fama. Quando a morte de Rodreve estiver vingada, não vou me opor a ser vosso herdeiro.
 
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Posted on: 1 de março de 2009Mônica Cadorin