HISTÓRIA DO MUNDO

Enquanto dou os retoques finais nO Além, já estou elaborando o que terei que refazer em História do Mundo. Um dia desses, remexi meus certificados de participação em concursos literários e encontrei uma avaliação feita a esse conto. Eu lembrava que o avaliador tinha identificado uma das características – o motivo que me faz manter essa história sobrevivente, mas não lembrava da avaliação inteira. Ao reler, mais atentamente, levei um susto: o avaliador dizia que os diálogos conduzem a história mas não são brilhantes. Não são brilhantes? Mas uma das minhas características é ter meus diálogos elogiados! Logo percebi que tinha que rever, então, todos os diálogos, e melhorá-los, para manter minha “fama”.
 
O conto é formado basicamente por três cenas, em que acontecem os diálogos. Procurei ver os assuntos que eram tratados nas três conversas, e descobri onde está o problema: o assunto é irrelevante. Nas minhas histórias, eu uso os diálogos para construir a personalidade das personagens, contar fatos anteriores relevantes, e fazer a trama andar. Em História do Mundo, as personagens estão simplesmente conversando “abobrinhas”. Talvez por isso eu não ganhei aquele concurso… Bem, problema identificado, bastava refazer os diálogos, certo? Ainda não. Os diálogos fracos são reflexo de uma trama fraca. Percebi que não existe uma história em História do Mundo. Não há um fio condutor. O trabalho de re-escrita, então, vai me dar ainda mais trabalho, pois tenho que começar do início: da idéia geradora. Será preciso pegar essa idéia, juntar as personagens que já inventei, a estrutura das três cenas, e de fato inventar uma trama que aglutine e carregue isso tudo. Muito mais difícil do que simplesmente incrementar e descrever – que eu achei que seria minha tarefa neste momento.
 
Se por um lado, é desgastante ter todo esse trabalho, por outro é bom saber que uma história que era ruim – e eu ainda não tinha percebido – terá outra chance de ficar boa. Quando eu tiver inventado a trama, talvez precise de mais personagens e mais cenas, para explicar e desenvolver tudo; então a transformação de conto em romance poderá deixar de ser problema.
Posted on: 11 de Março de 2010Mônica Cadorin

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