Labirinto vital (conto) – trecho

  

Ele se espreguiçou e acordou. Abriu os olhos e, estranhando o lugar onde estava, olhou em volta. Era tudo branco mas ele pôde perceber chão, paredes e teto. Uma figura veio por um corredor e aproximou-se. Tinha a pele e os cabelos brancos e usava roupas brancas mas distinguia-se do fundo pela diferença de tonalidade.

– Até que enfim, acordaste.
– Que lugar é este?
– Vais descobrir com o tempo.
– Como é que eu vim parar aqui?
– Sempre estiveste aqui.
– Então por que não me lembro deste lugar?
– E de que te lembras?
Ele pensou um pouco.
– De nada. Mas eu sei que estou vivo. Quem é você?
– Tu não podes compreender o que sou.
– E eu, o que sou?
– Por enquanto, nada. Vamos, levanta-te, estás perdendo tempo.
Ele obedeceu. A figura começou a andar e ele a seguiu. Caminharam muito tempo, entre paredes, chão e teto brancos.
– Aonde vamos?
– A lugar nenhum.
– Então por que vamos?
Ela parou de andar e perguntou, surpresa:
– Tu não queres ir?
– Se não há um destino, …
– O destino é caminhar.
 
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Posted on: 1 de março de 2009Mônica Cadorin