PRIMEIRO A HONRA

A primeira história na fila de publicação é Primeiro a honra. Passa-se na França no século V. Lembro que, na época em que escrevi, eu pesquisei o contexto religioso, social e militar do ambiente escolhido, chegando ao detalhe do tipo de roupas que as pessoas usavam.

Estava tudo pronto para publicar quando eu resolvi ler uma última vez e meu comentário foi “eu nunca sei em que ano se passa esta história”. E, em seguida, pensei: “caramba, se eu que escrevi não sei, como o leitor saberá?!”

Então resolvi repetir a manobra utilizada em O maior de todos, que só começava a definir a ambientação a partir do segundo capítulo: fazer um parágrafo logo no início, que indicasse época e lugar sem ser didático nem maçante. Quando escrevi a história, eu a tinha situado no reinado de Clodoveu, após a conversão deste ao Catolicismo Romano: sempre quis ter uma história na época dos Merovíngios.

Graças aos vários textos a que tive acesso pela Internet, logo eu tinha dados sólidos para contar nesse parágrafo introdutório, que ajudaria a situar minha história na Frância do ano de 496. A primeira fase da trama se passava em Orléans; a segunda fase, em Reims; e o objetivo da personagem principal era ir a Paris, capital do Reino, encontrar um certo cavaleiro do Rei. Eu tinha escolhido essas cidades pela distância entre elas, que obrigasse as personagens a viagens de mais de um dia (a pé) entre elas. Com essa pesquisa, descobri que Paris só se tornou capital do reino em 508. Em 496, a capital era em Soissons, que fica próximo a Reims. Isso estragava meus planos, pois as longas jornadas eram parte importante na composição dos eventos.

Eu só tinha duas alternativas: mudar a data ou mudar as cidades. Se eu mudasse a data, eventos anteriores na vida das personagens, relacionados à história real, que explicavam contextos, teriam que ser alterados. E tudo se encaixava tão bem com a história em 496… Se eu mudasse a cidade (Reims era o problema), minha família gaulesa deixaria de ser da tribo Rèmi e eu teria que alterar a caracterização. Achei que seria menos complexo mexer o lugar e transportei a segunda fase da história para Paris, e minha família gaulesa deixou de ser Rèmi para ser Parisii, sem maiores problemas.

Estando tudo resolvido, incluí alguns parágrafos logo no início, indicando a época e o contexto em que se passa a história. E assim ela ficou pronta para a publicação. Agora estou fazendo a diagramação e a capa e logo ela estará a caminho da gráfica.

Posted on: 11 de julho de 2009Mônica Cadorin

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