RELATÓRIO DE PROGRESSO – 4 MESES

Minha história ainda não tem título. Continuo chamando de Rosinha, embora Antonio tenha se tornado a personagem principal. Já tenho mais de 50 páginas escritas e já comecei a andar com alguns “apetrechos” na bolsa: mapas e quadro do tempo.
 
Eu não conheço São Paulo. Já andei por alguns pontos da cidade, mas não o bastante para dizer que sei onde ficam os bairros, os parques, as ruas, os marcos de referência. Bem, não sabia, porque imprimi alguns mapas para me auxiliarem a visualizar por onde Toni está andando. É a maravilha do Google Maps: diferentes níveis de aproximação (zoom) para que eu tenha mapas de ruas, de bairros, de região. São ao todo cinco, cada um em pelo menos duas folhas A4 coladas com fita de empacotamento. Até o final da história, conhecerei São Paulo melhor, pelo menos na área entre as Marginais (Barra Funda, Perdizes, Pinheiros, Vila Mariana) e até Tatuapé e Água Rasa. São os limites da região por onde Toni anda, procurando emprego. Até agora, ele está tendo dificuldades, mas sem maiores problemas.
 
Outra necessidade que senti foi de fazer um mapa temporal – um quadro de meses e anos – onde eu pudesse anotar, para consulta rápida, os principais eventos da história de São Paulo, do Brasil e do Mundo, para inclui-los na minha história. É um recurso que já usei em Construir a terra, conquistar a vida e que foi extremamente útil. Estou num momento bem interessante – os anos de 1917 e 1918 – quando a cidade de São Paulo viveu os três “G” que marcaram aquela geração: a Greve Geral de 1917; a Grande Guerra, na qual o Brasil ingressou em 1917; e a Gripe Espanhola, que chegou ao Brasil em 1918. É maravilhoso ter tantos eventos importantes para Toni participar. É uma forma simples e eficiente de dar verossimilhança à história e contextualizá-la. Então, à medida que vou lendo e pesquisando, vou preenchendo o quadro e usando as informações na história. É claro que nem todos os anos têm coisas legais para aproveitar. São momentos para aprofundar os problemas das personagens ou para dar uma “corridinha” com a narração, até outro momento interessante, seja pela história real ou pela história inventada.
 
Estou ansiosa para chegar logo ao próximo ponto de virada, que acontece daqui a alguns anos, quando Toni terá novamente uma escolha difícil a fazer (o nome dele foi escolhido com isso em mente, como contei aqui). São os melhores momentos, pois é quando o conflito interno da personagem explode, e conhecemos melhor seu caráter e sua personalidade. Mais um pouco e eu chego lá.
Posted on: 11 de outubro de 2011Mônica Cadorin