A nova Camelot

16 DE ABRIL

Estava eu pensando o que poderia publicar aqui hoje, já que não tenho nenhum texto pronto, não tenho nenhuma novidade significativa sobre a história que estou escrevendo, e já publiquei o texto sobre o aniversário de carreira. Cheguei a pensar em fingir que esqueci, e não publicar nada. Mas, quando olhei para o calendário, lembrei que dia 16 de abril é o Dia de Artus e resolvi falar sobre isso.

Primeiro, é preciso explicar o que é o Dia de Artus. Meus leitores mais assíduos vão se lembrar que eu inventei (em conjunto com minha amiga Cláudia) e comecei a escrever (coisa de 150 páginas) uma história em que o Rei Artus (forma bretã de Artur) voltava de Avalon para novamente reinar sobre a Bretanha, como rezam as velhas lendas. Isso acontecia no final do século XX, e ele acabava encontrando Richard, um rapaz apaixonado pelos romances do ciclo arturiano, que ajudava o Rei a reencontrar seus Cavaleiros e organizar a retomada do poder, através da Busca do Graal. Considero essa história (que começou com o nome de A nova Camelot e terminou com o nome de O sonho de Richard) um romance de cavalaria pós-moderno, pois, embora contenha elementos do romance de cavalaria medieval, tem uma estrutura de romance contemporâneo. A história era dividida em duas partes. A primeira parte começa em 1997 e vai até a virada do século XX para o XXI. Então há um salto no tempo, e a segunda parte começa de novo em 1997, contando uma espécie de realidade paralela com as mesmas personagens. Não dá pra explicar sem contar o grande evento que muda o rumo da história, fazendo o tempo voltar e a história se repetir mas de forma diferente. Então não posso explicar melhor. Bem, atualmente, a história está descartada porque a proposta, quando foi criada (1988) era que se passasse no futuro, e o ano de 1997 já ficou pra trás faz tempo. Eu poderia jogar para 2020, 2030, ou qualquer outra data no futuro, e o problema desapareceria, certo? Em princípio, sim, mas coloquei o tal evento decisivo bem na virada do século, e esse detalhe se tornou importante para a configuração do evento, então fica difícil mover a data. Eu teria que jogar para a próxima virada de século, mas não sou especialista em ficção futurista, e isso atrapalha um pouco. Mas tenho comentado tanto sobre ela ultimamente que de repente até retomo, e ela pode voltar à vida.

Mas o que o dia 16 de abril tem a ver com tudo isso? Simples: foi nesse dia que Richard encontrou Artus. Então, quando o dia 16 de abril de 1997 chegou (a história já descartada), eu lembrei de que ela estaria começando. E, como eu tenho essa “mania” de pensar que minhas histórias são reais, comecei a acompanhar os jornais, para ver se algum iria noticiar o regresso do Rei Artus ao mundo, e sua volta ao Trono da Inglaterra. Depois disso, todos os anos, no dia 16 de abril – Dia de Artus – eu me lembro dessa história, do que ela significou para mim naquele momento da minha vida, e fico pensando em como resolver a questão de ambientá-la no futuro: o que realmente é importante para a caracterização e para a ambientação que justifique eu deixar ou eu mexer. Este ano, vai fazer 15 anos que eu comemoro (sozinha) o Dia de Artus. Quem sabe um dia essa história não vem a público, e o dia 16 de abril se torna marcante também para outras pessoas, e poderemos comemorar essa data juntos? Vindo da minha cabeça, tudo é possível.

ESCREVER ROMANCES DE CAVALARIA

Pode parecer sem propósito escrever romances de cavalaria (ou novelas, conforme o gosto) em pleno século XX e XXI. De fato, é um estilo de escrita com uma definição temporal bastante determinada, e talvez não fale mais para os leitores do nosso mundo atual.

Mas como desprezar o desafio de criar personagens com certas características específicas e elaborar histórias que precisam necessariamente conter certos elementos? Como evitar o prazer de escrever num estilo que eu gosto de ler? Foi pensando nisso – no desafio e na satisfação – que eu me meti nessa empreitada. Os romances de cavalaria têm uma linguagem tão marcante que toda vez que eu leio muito, acabo escrevendo alguma coisa, nem que seja apenas um poema curtinho.

Essa febre começou por causa de A nova Camelot, história que uma amiga sugeriu. Eu não conhecia os romances de cavalaria, mas tive que procurar e ler, para poder recriar a personalidade dos cavaleiros na minha história. Aí acabei lendo quase tudo, e é difícil não se impregnar da atmosfera de aventuras depois das mais de 300 páginas do Parsifal de Wolfram Von Eschenbach, ou das mais de 500 páginas nos dois volumes de A morte de Artur, de Thomas Malory (só tenho os dois primeiros volumes). Como ao me envolver com a história de amor de Tristan e Iseu (minha preferida) ou com a história de Merlin, aprisionado pelos encantos de Viviane? Eu me transporto para aquele ambiente, e depois de um tempo, começo a falar como Chréstien de Troyes, ou como Robert de Boron. Aí não adianta tentar fazer outra coisa, porque a linguagem vai ser cavaleiresca. Então o jeito é fazer um romance de cavalaria e tentar seguir a linha desses grandes mestres.

O mais difícil é conter – ou melhor, conciliar – minha veia subversiva. Não consigo simplesmente imitar o estilo, tenho que mexer na caracterização das personagens. Por isso Linart é um incapaz, e conduz as aventuras de derrota em derrota. Por isso Daluvian e Denevole não gostam de resolver as questões pela espada, mas em torneios poéticos. Por isso eu termino as histórias antes que as personagens morram, e sem que sejam coroadas reis. Havia uma continuação de Romance em prosa do Cavaleiro de Nova Gália, justamente contando a morte do herói, mas não consegui escrever. Gosto do final que fiz, e não suportei a ideia de contar ao mundo que meu mais valente cavaleiro encontrou quem o derrotasse definitivamente. Entendo que nos romances medievais se desejasse justamente mostrar que mesmo os heróis são humanos e morrem, mas eu não consegui. Então meus três romances de cavalaria não têm final trágico (que seria, se os protagonistas morressem) mas um belo final feliz, ao lado das damas que escolheram e tendo alcançado toda fama e vitórias de que são capazes.

Não posso deixar de citar aqui que meus três romances de cavalaria contêm louvações a Lancelot e Tristan, os dois melhores cavaleiros de todos os tempos (e de todos os romances originais). Se não louvo também Gawain, Parsifal e Gallahad é por não ter me identificado afetivamente com eles, não por lhes faltar valor. Por falar em afeto, nunca é demais repetir que Tristan de Leonis é meu cavaleiro preferido, e que ele desempenha papel-chave nas três histórias: em Romance em prosa do Cavaleiro de Nova Gália, Haliwain precisa vencê-lo para conquistar Adriane; em História da vingança do Cavaleiro Bretão, Linart quer matá-lo para vingar a morte do irmão; em Aventuras dos Cavaleiros Cantores, é a ele que Daluvian e Denevole querem se igualar no canto e no combate, e é com ele que eles descobrem o verdadeiro valor de um cavaleiro. Sir Lancelot do Lago aparece representado como amigo fiel e o melhor entre os melhores, mas o papel dele é secundário.

Há o projeto de um quarto romance, para contar a história da pessoa que escreveu os outros três livros e de como essa pessoa tomou conhecimento das histórias que contou. Mas não sei se algum dia vou acabar de inventar para escrever. Até o terceiro livro – Aventuras dos Cavaleiros Cantores – está incompleto, com apenas algumas cenas soltas escritas, mas sem o fio condutor da história. Na época em que eu estava escrevendo, aconteceu alguma coisa (de que não me lembro mais) e eu precisei interromper a escrita. E, sem estar impregnada pela linguagem, não consigo prosseguir no estilo. Estou há anos dizendo que vou reler os romances para poder acabar de escrever mas sempre aparece outra prioridade e eu vou adiando essa escrita. Mas a história está pronta e eu me lembro de tudo o que inventei para ela. Só falta mesmo o ajuste de linguagem para que eu possa escrever. E isso só conseguirei relendo tudo – mas aí, cadê o tempo? Depois quero publicar os três (ou quatro) juntos, como uma coletânea – a Biblioteca de Kerdeor.

Talvez seja divertido para o leitor encontrar-se com o gênero do romance de cavalaria numa releitura do século XX, que tenta seguir o estilo dos escritores dos séculos XII a XV. Eu não ousaria querer me igualar aos grandes Mestres da Matéria da Bretanha – Wolfram Von Eschenbach, Robert de Boron, Thomas Malory, Chréstien de Troyes, Béroul, além de Joseph Bédier e Auguste Magne, mestres recriadores daquele universo em tempos modernos – mas ouso homenagear todos eles com meus singelos romances de cavalaria.

HISTÓRIAS COM MUITAS E POUCAS PERSONAGENS

Outro dia, anotei na minha listagem geral alguns nomes de personagens que estavam faltando em O canhoto. Então tive a ideia de fazer este texto, para refletir se há diferença de tratamento entre histórias com poucas personagens e histórias com algumas personagens principais, várias personagens secundárias e muitas personagens coadjuvantes e figurantes. E também descobrir o que para mim são muitas e poucas personagens.
 
Naturalmente, os contos e histórias curtas têm menos personagens. E naturalmente também, a história com mais personagens é Construir a terra, conquistar a vida, pois são 25 anos e uma cidade inteira envolvida em 895 páginas manuscritas. São ao todo 72 personagens, incluindo as pessoas reais (jesuítas e governantes que têm alguma fala), divididos em 10 grupos. Tentei contar o número de famílias, mas fica confuso, pois as famílias de Duarte e Fernão, ao longo da história, vão se misturando a outras famílias, com o casamento dos filhos, que se tornam também novas famílias. Então Maria, por exemplo, no início pertence à família de Duarte, e João pertence à família de Manoel Machado mas, ao se casarem, se tornam uma terceira família. Diante disso, cada pessoa representa uma família, ao mesmo tempo que cada casal forma uma família. É mais simples dizer que é muita gente e muitas famílias se entrelaçando, como acontece também na vida real.
 
Acho que a primeira história que escrevi foi a mais sintética de todas, embora, pela estrutura, não fosse um conto. Havia apenas o casal protagonista e o antagonista. Três personagens e as areias do deserto. Não tenho nada mais minimalista.
 
A Nova Camelot, que se tornou A volta dos cavaleiros da Távola Redonda, que se tornou O sonho de Richard e que hoje está descartada tem a peculiaridade de ter personagens duplas, uma vez que cada uma é ela mesma e o cavaleiro que foi, e eles agem às vezes como um, às vezes como outro, às vezes como os dois juntos. Comecei com 9 personagens duplas + 2 simples (Richard e Artus), passei para 18 duplas + 5 simples (Richard, Artus e os magos) para terminar com 12 duplas + 4 simples (Richard, Artus e os magos).
 
Quando escrevi Mosteiro, tinha 21 personagens, organizados em 5 núcleos familiares. Dessas 21, 4 são as mais importantes (Michel a principal e mais 3 secundárias). Ao re-escrever e transformá-la em O canhoto, o número de personagens aumentou para 38 e mais duas personagens ganharam importância. Algumas famílias e grupos sociais também se desenvolveram, chegando ao número de oito.
 
Outra história com muitas personagens é O maior de todos, com o número de 36. Afinal, toda a corte está envolvida, há nobres e povo, ministros, traidores, crianças que nascem.
 
Sempre que há muitas personagens, a maioria delas não é desenvolvida. A verdade é que não dá para se trabalhar bem com mais de 10 personagens importantes, pelo menos não em menos de 500 páginas (Construir a terra, conquistar a vida tem 14 personagens importantes e 895 páginas para resolver a vida de todos). Personagens importantes têm aspecto físico, características psicológicas e emocionais, problemas a resolver, conflitos próprios. Quando estou escrevendo a história, vou criando personagens à medida que vou precisando delas, sem pensar no número, e vou desenvolvendo-as quando necessário. Histórias com mais conflitos pedem mais personagens. Por outro lado, histórias com mais personagens me possibilitam criar mais conflitos. No fim, uma coisa gera a outra, às vezes uma precede, às vezes outra, sem regra fixa.
 
Mas percebi que esse número alto de personagens (mais de 30) é exceção, pois a maioria das histórias sobreviventes tem menos. Como em geral tenho um casal protagonista, acabo ficando com apenas esses dois núcleos familiares e mais um ou dois grupos sociais (ambiente de trabalho, amigos, antagonista, comunidade social, etc). É o que acontece em Não é cor-de-rosa, O Aro de Ouro, Primeiro a honra, Vingança, O destino pelo vão de uma janela, Pelo poder ou pela honra, Amor de redenção.
 
Em O processo de Ser, tenho só um grupo familiar e alguns amigos – já que um dos temas é o isolamento e a vida interior. Em Nem tudo que brilha… também fui bem sintética, com o casal protagonista, um amigo, dois empregados e a casa misteriosa com seus antigos moradores já falecidos. À procura (descartada após a publicação deste texto) também é interessante por ter apenas cinco personagens, todos com a mesma importância, todos igualmente desenvolvidos (tudo bem, o guia tem um mistério a mais a desvendar) e eles são um grupo profissional e não familiar. De mãos dadas vem nascendo com três núcleos familiares centrais e até agora 10 personagens. Quando eu escrever, provavelmente precisarei de outras e, ao desenvolver as que já existem, o número de personagens importantes (atualmente uma principal e duas secundárias) deve aumentar também.
 
Então, em geral escrevo histórias com menos de 30 personagens no total – tramas simples, sem muitos entrelaçamentos, que se resolvem em 100 ou 200 páginas A4 manuscritas. Mas são justamente as histórias com mais de 30 personagens, mais complexas, mais difíceis de gerenciar – pois é necessário cuidar da gradação de importância entre as personagens principais e entre essas e as secundárias – que são as mais gostosas de se escrever.

HISTÓRIAS ENCOMENDADAS

Por cinco vezes, pessoas deram-me idéias para escrever. Deram-me já prontos personagens, ambientação, trama. Só uma eu consegui escrever – a primeira, porque a absorvi como minha, e acabei fazendo muitos acréscimos além do que estava planejado. Tanto que A nova Camelot se tornou O sonho de Richard. É uma história de 1988, que se passava no futuro, entre os anos de 1997 e 2000 – terminava na virada do milênio e isso era importante. O que era futuro virou passado, sem que eu tivesse acabado de escrever, por isso a descartei. Mas às vezes fico pensando se devia chamá-la de volta, e terminar de escrever. O problema é que faz parte dela ser no futuro, e eu dei um significado especial à virada do milênio. E a próxima virada está tão longe… não quero ir tão para o futuro assim.

As outras quatro histórias eu cheguei a recolher informação, pesquisar, inventar. Uma outra até cheguei a começar a escrever. Mas a verdade é que eram estímulos exteriores a mim, e por isso não consegui levar adiante. Outro dia reli algumas anotações que fiz sobre uma dessas – a história de Didier e sua mãe Vivianne – que me foi dada em 1993, e alguma coisa falou dentro de mim. Acho que meu inconsciente se identificou com o que eu li, e eu já comecei a inventar cenas e refazer o que eu tinha feito. Como é uma história que requer muita pesquisa, pois se passa na Europa no século XVI – e ainda por cima as personagens e a trama não são minhas – marquei-a como suspensa, para voltar a ela algum dia. Talvez seja minha próxima história, não sei. Curioso é que a pessoa que me deu esta história é a mesma que me deu A nova Camelot.

Também em 1993, duas meninas me pediram uma peça de teatro para elas representarem com os primos. Deram-me as personagens e a trama e eu comecei a escrever, mas achei que estava entrando em temas estranhos à proposta delas, então também desisti.

Em 2003, um prédio antigo desabou na Rua do Rosário, centro do Rio de Janeiro. Meus colegas de trabalho sugeriram que eu fizesse uma história com isso. Achei boa a idéia, acompanhei e copiei as notícias, inventei personagens e uma trama mas não gostei do que fiz. Então descartei sem nem escrever.

E recentemente, em 2006, meu pai me deu uma sugestão mas eu teria que “brincar” com personagens reais, sobre os quais há muitos estudos e livros escritos, e eu achei perigoso me meter a fazer ficção com gente que existiu e fatos reais. Até cheguei a pensar nela, mas é difícil inventar e ao mesmo tempo ser fiel ao que dizem os livros. Então desisti.

Foi analisando esses fatos – e outras questões também, é claro – que cheguei à conclusão de que meu processo é de fato inconsciente, e que eu não consigo escrever por encomenda.

PERSONAGENS REAIS E FICTÍCIAS

A grande maioria de minhas personagens é fictícia. Não todas porque às vezes eles se encontram com pessoas reais e eu sou obrigada a dar vida a quem existiu de fato. Sempre evito mexer com pessoas reais, porque acho temerário vir eu contar que eles disseram ou fizeram isso e aquilo. Deixo essa tarefa aos historiadores, eu sou ficcionista. Nas minhas histórias, as personagens reais são citadas e às vezes elas até aparecem, mas apenas em “participações especiais”, e, mesmo assim, peço-lhes desculpas pela minha arrogância de supor que eles disseram e fizeram o que eu conto. É verdade que a presença delas ajuda a dar credibilidade à minha ambientação, mas mesmo assim eu evito.

A primeira vez que usei personagens reais foi em 1986, na segunda versão daquela “história adulta” que inventei com 13 anos. A pessoa real era o Rei Edward Tudor, o Sexto, da Inglaterra, e ele aparecia “numa idade que ele nunca teve, num tempo em que ele já era só lembrança”, como eu mesma registrei na época. Ou seja, usei de forma errada, e este foi um dos motivos do descarte da história.

A segunda vez foi em Mosteiro, quando Michel encontrou o Rei Philippe II da França. Desta vez, tentei compreender a personalidade e o comportamento da pessoa real para fazê-lo o mais verossímel possível, e não creio que tenha errado muito, se errei. O comportamento dele com Michel foi coerente com tudo o que li sobre ele.

Depois veio o desafio de recriar as personagens dos Romances de Cavalaria do Ciclo Arturiano, para A nova Camelot. Me envolvi tanto e fiquei tão impregnada com as personagens que fiz três romances de cavalaria, misturando minhas personagens fictícias aos cavaleiros lendários e ao próprio Rei Artur. Depois reuni essas três histórias em forma de romance de cavalaria – Romance em prosa do Cavaleiro de Nova Gália, História da vingança do cavaleiro bretão, Aventuras dos Cavaleiros Cantores – num único volume chamado Biblioteca de Kerdeor, seguindo a tradição de chamar de “biblioteca” as coletâneas de textos medievais.

Incluí personagens reais também em Uma antiga história de amor no Largo do Machado, em que apareceram Joaquim Manuel de Macedo lançando “A Moreninha” e Machado de Assis ainda menino.

Vivianne (1993) era para contar a história de pessoas que viveram no século XVI. Todas as personagens eram reais. Não consegui escrever.

A história com maior número de pessoas reais contracenando com minhas personagens fictícias é Construir a terra, conquistar a vida. Nela aparecem jesuítas e governantes em estreita relação com Duarte e Fernão, as personagens principais dessa história que se passa no Rio de Janeiro do século XVI.

E finalmente O Canhoto tem a participação de Filips van de Elzas, Conde de Flandres, e de Hendrik I, Duque de Brabante. Creio ter sido fiel às informações que consegui sobre eles, e tê-los feito agir e falar de forma coerente a quem eles foram de fato. Mesmo assim, devo a eles muitas desculpas por tê-los feito participar tão ativamente de eventos decisivos da trama. Também são citados o Rei Philippe II da França e o Rei Richard I da Inglaterra, the Lionheart, ao lado de quem Nicolaas luta na Terceira Cruzada da Terra Santa.

É interessante notar que as pessoas reais só aparecem nas histórias ambientadas no passado. Talvez porque a presença delas ajude a dar maior verossimilhança ao que estou escrevendo. Talvez eu pense que não preciso usar pessoas reais nas histórias que se passam no meu tempo. Talvez as histórias do presente tenham a ambientação menos elaborada, porque parece que eu parto do princípio de que o presente é óbvio para o leitor, mas não o passado. Talvez as pessoas reais do presente não sejam tão importantes para o desenrolar das minhas tramas. Na verdade, não sei explicar.