Aniversário

APENAS SEIS ANOS

Mais um aniversário do blog. Faz seis anos que eu comecei a me aventurar nesse território da publicação virtual, trazendo para meus leitores curiosidades sobre meus livros, reflexões sobre meu método de criação e novidades várias sobre o livro que estou escrevendo no momento. Tem sido uma experiência interessante, embora muitas vezes me pareça que estou aqui conversando com as paredes, pois meus textos são vistos, mas pouco comentados. A sorte é que eu sou teimosa e prossigo de qualquer jeito, atolada na lama até os joelhos ou remando contra a maré. Não importa, eu estarei aqui, jogando minhas palavras ao vento (clichê!) na esperança de que alcancem alguém.
 
Não é fácil ter assunto para seis anos de textos. Como são três por mês, são 36 textos por ano. Em alguns anos, publiquei a mais; em alguns anos, publiquei a menos, então não basta multiplicar 36 por 6 para saber quantos textos estão publicados aqui. A conta vem a ser mais complexa.
 
Cheguei a pensar em começar hoje meu novo livro (a história de Rodrigo, ainda sem título) mas isso seria assumir um compromisso que eu não daria conta de cumprir da forma como gosto: escrever sem parar. Como ainda estou cuidando da publicação de Construir a terra, conquistar a vida, não quero desviar minha atenção com uma atividade muito mais absorvente como é o processo de criação e escrita. Então deixo para começar depois. Não tenho pressa.
 
Feliz aniversário do blog para mim que escrevo e para vocês que leem. 

OUTRO ANIVERSÁRIO DE NOVO

Hoje faz exatamente 450 anos que a Mui Leal e Heróica Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro foi fundada pelo bravo Estácio de Sá, acompanhado de outros portugueses corajosos, incluindo nesse grupo também alguns Jesuítas. É uma data memorável para todos os cariocas e para todos os que moram aqui e, porque não?, para todos os que, mesmo sem terem nascido nem estarem morando, são também encantados com a beleza desta parte do mundo que, segundo Fernão Cardim, “tem uma Bahia que bem parece que a pintou o supremo pintor e architecto do mundo Deus Nosso Senhor. E assim é cousa formosíssima e a mais aprasível que há em todo o Brasil” (Tratados da terra e gente do Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia, São Paulo: USP, 1980. p. 170).
 
E hoje faz também 423 anos que minha história Construir a terra, conquistar a vida acabou (conforme contei aqui). Tudo bem, foi um longo dia 1/3 que só terminou na tarde do dia 2/3. Tempo psicológico é assim: o referencial é a pessoa que está passando pela experiência, e não o relógio, ou qualquer outra forma de medição do tempo. A grande sequência final da história começa no dia 1/3, quando Duarte e sua grande família – que, além de toda a família de Fernão, a essa altura inclui também filhos e netos – aproveitam o dia festivo para um passeio (piquenique) à região do Rio Carioca, onde, ainda nos idos de 1567, Duarte conheceu Ayraci. A história termina assim, no piquenique. Ali todas as pontas são amarradas, tudo é solucionado. E a sequência se estende noite adentro – ninguém dorme – e segue pelo dia seguinte. Então, se ninguém dormiu, o dia 1/3 não acabou. Ele entrou pelo dia 2/3 e incorporou-o.
 
Então eu, no meu delírio autoral, sempre fico achando que as comemorações civis e religiosas desse dia, até hoje, de alguma forma rememoram e celebram o que aconteceu naquele dia 1/3/1592. Assim seja, Duarte! Que seu nome fique gravado para sempre junto dos bravos heróis portugueses que deixaram sua terra para virem construir nosso Rio de Janeiro. Como você previu, sempre que alguém (eu) fala “Estácio de Sá”, também fala “Duarte Correia”, herói da cidade. E assim será, enquanto o aniversário da cidade for dia primeiro de março.

CINCO MAIS TRÊS – ANIVERSÁRIOS

Nem sempre as coisas acontecem conforme o planejado e o desejado. A tarefa de terminar de escrever De mãos dadas hoje se mostrou grande demais para o tamanho das minhas pernas. Não consegui sequer terminar a cena importante, longa e detalhada de dezembro de 1927, quanto mais entrar em 1928, que é quando a história acaba. Bem, “rei morto, rei posto”. Então, se um desejo não foi alcançado, já ponho outro no lugar: acabar de escrever até o final de 2014. Isso me dá tempo suficiente para fazer o que tem que ser feito: levar a história até seu final, voltar para preencher as lacunas que deixei para trás incluir as cenas que esqueci de escrever, e ler tudo para conferir que não falta nada. E só então colocar o ponto final. Não dava pra fazer tudo isso em um mês.
Terminar hoje não era realmente fundamental, mas apenas uma forma de criar uma “curiosidade”: acabar de escrever no mesmo dia em que comecei, o que faria a conta ficar “redonda” e eu poderia dizer “levei três anos exatos”. Nada tão importante, na verdade.
Deixando de lado a parte do “não consegui”, falemos das coisas boas: a história está, sim, chegando ao fim e, portanto, as cenas finais estão sendo elaboradas em seus detalhes. Dessa forma, o que era apenas uma linha mestra, uma meta, vai se tornando cena com ações e sentimentos. O “osso” vai ganhando “carninhas”. Os conflitos restantes estão prestes a se resolver – o principal na cena longa que estou fazendo. Depois são mais uns meses – até maio de 1928 – para amarrar todas as pontas e arrematar a história na cena final, uma cena-resumo que traz elementos importantes do passado e aponta para o futuro. Estou prestes a me despedir de Toni e dá aperto no coração pensar nisso. Do meu ponto de vista, são três anos juntos. Do ponto de vista dele, são quinze anos juntos. Vai ser difícil trancá-lo numa caixa por um ano, tirar férias, escrever outras coisas, e só voltar a Toni em 2016. Sempre é difícil mas eu consigo. Foi assim também com O canhoto, Construir a terra, conquistar a vida, Não é cor-de-rosa, Amor de redenção, só para citar os mais recentes. Afinal, repetindo o “rei morto, rei posto”, tenho que acabar de diagramar Construir a terra, conquistar a vida e decidi mesmo escrever o dilema de Rodrigo e sua namorada “pouco convencional”. Acho que vai ser interessante entrar no universo adolescente contemporâneo (Rodrigo tem 14 anos) e falar de preconceito, bullying, escolhas de vida.

Bem, tudo isso é para dizer que hoje é aniversário do blog. Faz cinco anos que eu venho aqui repartir com vocês meus dramas e alegrias literários, contar as histórias das minhas histórias e refletir sobre meu processo de criação. Obrigada a quem me acompanha com regularidade. Obrigada a quem vem aqui só de vez em quando. O blog não tem sentido sem a companhia de vocês. Meus leitores são meu presente de aniversário. Parabéns para nós.

QUASE 30

Eu tinha planejado publicar hoje um texto falando sobre como foi que eu cheguei à dedicação ao romance histórico. Escrevi duas páginas inteiras para ao final concluir que eu não “cheguei” ao romance histórico. Não é o único tipo de romance que eu escrevo, nem o que eu mais escrevo. Nunca foi e não acredito que venha a ser, porque não estou fechada a outros tipos de romance, nem mesmo a outros gêneros. A qualquer momento posso escrever uma história ambientada na atualidade (como meus dois projetos a escrever assim que eu acabar De mãos dadasAmnésia e a História de Rodrigo), posso escrever um conto (como O Além, escrito em 2010) e – quem sabe? – até um poema. Não posso nem mesmo dizer que o romance histórico é o que eu gosto mais de escrever porque, se assim fosse, eu não escreveria outras coisas – digamos que sou mesmo hedonista quando o assunto é literatura. O que acontece é que meus últimos romances escritos e publicados por acaso são históricos, então eles ficam mais presentes na memória.

Depois de toda essa reflexão, decidi comemorar meus 29 anos de carreira com este texto curto, sem históricos longos, sem estatísticas. Quanto mais o tempo passa, mais prazerosamente se torna o escrever, então feliz aniversário para mim!

RELATÓRIO DE PROGRESSO – 24 MESES

E não é que De mãos dadas está rendendo? Em número de páginas e em tempo gasto a escrever. Já está ombreando com Construir a terra, conquistar a vida, que tem 895 páginas e que eu levei seis anos para escrever. Em Construir a terra, conquistar a vida, era a vida das muitas personagens que me alongava; em De mãos dadas, são os eventos históricos: só a Revolução Paulista de 1924 me custou mais de 40 páginas.

No momento, estou em 1924, já na terceira fase, preparando Toni para voltar à fazenda e reencontrar Rosa. Esse reencontro vai dar “panos para mangas”, pois são muitos anos de afastamento para colocar em dia, muitos eventos a serem contados e explicados de parte a parte. Cada um terá que se colocar no lugar do outro para compreender a complexidade da situação do outro, de forma que o amor entre eles continue prevalecendo.
Embora o narrador seja em terceira pessoa, o ponto de vista da história é Toni. Ele não tem notícias da Rosa, nem o leitor. Que Rosa Toni vai encontrar quando voltar? Terá se mantido fiel à promessa de esperar por ele? Terá morrido de Gripe Espanhola? Toni confia, apenas confia, e só saberá de tudo (e o leitor também) quando estiver novamente na fazenda.
A primeira fase da história durou da página 1 à página 125 e foi apenas uma pequena introdução às personagens e seus objetivos, à determinação de Toni e às suas dificuldades. Na página 125, aparece Letícia, com uma reviravolta escondida na manga, e permanece até a página 398, que é quando acaba a segunda fase (total de 273 páginas, portanto). Há agora uma espécie de interlúdio, nesse início de terceira fase, até que Toni entre no trem de volta para São Carlos. São alguns eventos importantes, que consolidam a segunda fase e preparam o reencontro com suas origens e a retomada de seus objetivos. Não faço ideia de quantas páginas terá, nem quanto tempo levarei para escrever. Já estou na página 434 e tenho a impressão de que a história, de fato, só vai começar quando Toni estiver de novo na fazenda, com Rosa. Então já estou me preparando psicologicamente para mais um tijolinho, que eu terei que publicar em três tomos (que é o caso de Construir a terra, conquistar a vida).
Bem, hoje é aniversário do Blog também, que completa quatro anos. Não dá pra pensar em direcionar os textos para outros assuntos, porque continuo escrevendo De mãos dadas, que é minha prioridade na divisão do tempo. 
Agradeço a companhia de quem está sempre por aqui e espero continuar mantendo o interesse de vocês com textos que falam das dificuldades e alegrias de quem se mete a reinventar mundos e a inventar vidas. Um escritor não é nada sem seus leitores, e eu gosto muito de seus comentários, perguntas e críticas. Então Feliz Aniversário de leitura deste Blog pra você!

SEGUNDO ANIVERSÁRIO

Obrigada a vocês, meus Seguidores, e a todos os meus leitores fiéis: Escrever para mim completa dois anos de vida. Está sendo muito bom para mim ter esse espaço para refletir sobre minha experiência e poder contar a todo mundo, caso sirva para reflexão de outros escritores. Imagino que também deve ser interessante para quem conhece meus romances saber como foram criados e o que me motivou a caracterizar as personagens desta ou daquela forma.
 
O número de seguidores e visitantes vem crescendo (desta vez, vou poupar vocês das estatísticas), e é muito bom poder fazer contato com pessoas que eu não conheceria de outra forma.
 
No primeiro ano, falei de questões mais abrangentes, cuidei de apresentar a mim e a minhas histórias. No segundo ano, aprofundei algumas questões, apresentei meu inconsciente tanto quanto consigo acessá-lo. Para este terceiro ano que se inicia, pretendo fazer textos mais didáticos – tanto quanto é possível se ensinar alguma coisa a alguém – abordando problemas comuns na escrita e soluções que encontrei. São questões que sempre aparecem nos fóruns e comunidades de que participo, de forma que são assuntos sobre os quais tenho refletido bastante ultimamente, e achei que será boa ideia partilhar com todos os meus visitantes as reflexões que tenho feito de uma forma mais privada. Este ano também vocês poderão acompanhar o processo de escrita de meu romance (ainda sem título) que eu chamo de Rosinha, o nome da personagem que me veio em sonho. Propositadamente comecei a escrever hoje, inaugurando o novo ano com meu já nem tão novo projeto.
 
Não pretendo publicar a história aqui à medida que for escrevendo pois, conforme já contei, meu método é bastante rígido e o texto só pode ser mostrado depois da primeira avaliação, que só acontece um ano depois de eu terminar de escrever. Inclusive, só textos APROVADOS (sobreviventes) nessa primeira avaliação são digitados. O que pretendo contar aqui é mesmo sobre o processo de escrever – as ideias, as pesquisas, as dificuldades, as alterações ao projeto original, as retiradas, os acréscimos. É algo que só agora terei oportunidade de fazer, pois comecei o blog depois que já tinha terminado O canhoto, e À procura era uma história curta, uma tentativa de re-escrita, que inclusive não deu certo. Rosinha tem mais chances de dar certo, porque está mais próxima do tipo de história que eu costumo contar, com conflitos sociais e não psicológicos (eu-comigo, como era o caso em À procura); com uma série de eventos a contar, num largo correr de anos. A história começa no século XIX, com a vinda dos imigrantes italianos para o Brasil, mas eu só me aproximo para detalhar em 1913, e a história termina em 1928. Então tenho muito a contar, do jeito que eu gosto.
 
Será um ano de trabalho intenso e, portanto, de muita satisfação, e vocês poderão acompanhar tudo aqui mesmo, sempre nos dias 1, 11 e 21.

EDIÇÃO DE ANIVERSÁRIO – 1 ANO

Hoje faz exatamente um ano que comecei este blog. Em um ano, muita coisa mudou, idéias tomaram corpo, mas a essência continuou a mesma, e o Blog continua sendo um espaço para eu expor meu modo de trabalho, histórias das minhas histórias, como funciona meu processo de criação e construção dos elementos dos romances, e curiosidades em geral relacionadas a esses itens.

No meio do caminho, criei um segundo espaço, para conter informações básicas sobre as histórias, de forma que eu não precisasse repetir tudo cada vez que citasse a história. E recentemente ocupei um terceiro espaço para fazer a divulgação (e a venda) dos livros que tenho publicados. Os preços informados cobrem meus custos. Acho que não vou ficar rica vendendo livros… [editado: atualizei os links para esses outros espaços, uma vez que, atualmente, todos estão organizados neste site]

Quando comecei com o blog, escrevia dois ou três textos por semana, o que me deixava sempre com uma boa reserva, caso alguma semana ficasse sem assunto. Mas no final de 2009, enquanto re-escrevia À procura, parei de produzir textos para o Blog – mas não parei de publicá-los – de maneira que minhas reservas se esgotaram e tenho que confessar que minhas idéias para novos textos também estão mais escassas. Portanto, se alguém tiver alguma sugestão a dar, alguma pergunta a fazer, não se acanhe.

Nas próximas semanas, pretendo criar mais vínculos entre os três blogs [obs.: já está tudo vinculado no site, inclusive em pesquisa de Tags], para que eles se intercomuniquem mais, e o leitor tenha mais facilidade em passear por todos eles, envolvendo-se mais profundamente com a minha obra e o meu mundo pessoal. Assim, poderá ir do texto à sinopse, ao livro, ler um trecho da história, ver outros textos que se referem a essa história, tudo de forma simples e integrada.

Agradeço a meus leitores habituais, aos leitores esporádicos e a todos que em algum momento andaram por aqui, lendo, comentando, aproveitando de alguma forma o que eu tenho a dizer.