Fórum Escreva seu livro

2014, AFINAL

Primeiro dia do ano é propício a um balanço do que aconteceu no ano anterior, e a traçar metas para o ano atual. É o que tenho feito todos os anos, e o que pretendo com este texto também.
2013 foi um ano difícil em termos de resolver a equação “quantidade de coisas a fazer” / “quantidade de tempo disponível”. Este ano de 2014 a situação não deve ficar muito diferente, pois eu continuo envolvida com meus dois “gigantes”: Duarte e Toni. Em relação a Duarte, penso que consigo resolver tudo este ano, com uma linda publicação. Já Toni está mais complicado, pois ainda tem muita, muita coisa para acontecer, então estou chegando à página 600 sem perspectiva de final. Comecei 2013 escrevendo a página 294 e hoje vou completar a página 598, o que significa que, em 2013, eu escrevi 304 páginas, muito mais do que em 2012, quando escrevi apenas 194 páginas. Realmente já tinha percebido que este ano a carga de trabalho foi bem maior…
Por conta dessa falta de tempo, abandonei quase todos os grupos de discussão, só restando o Fórum Escreva Seu Livro (retirei o link porque o fórum também já está extinto), onde ainda vou nem que seja para ver o que estão dizendo meus amigos. Percebi que muitas pessoas usam as comunidades literárias apenas para se promoverem e fazerem propaganda de seus livros e seus blogs, e não para falar de literatura, discutir técnicas e processos – que é o meu interesse, e do pessoal do Escreva Seu Livro. Então me afastei das “comunidades-classificados” para não perder meu raro tempo com o que não me interessa.
Os blogs dos amigos, infelizmente, ficam no final da minha lista de prioridades e, por isso, não sobra tempo para eles. Em 2013 não tive tempo nem para desenvolver os textos do blog! Em 2012 e 2013 eu me propus e começar a fazer leitura crítica, mas é algo também que a falta de tempo não permitiu.
Então, sem sonhos de grandeza, e esperando colocar o chapéu somente onde minha mão alcança, anuncio minhas metas para 2014:
1)     publicar e lançar Construir a terra, conquistar a vida;
2)     continuar escrevendo A história de Toni (ah, já quase tenho um título para ela. Sabia que o retorno de Rosa à trama me ajudaria nesse ponto);
3)     escrever para o blog mais do que notícias de em que ponto da história estou, e publicar com a regularidade prometida (dias 1, 11 e 21);
4)     continuar conversando sobre literatura com pessoas interessantes (que não estão só no Fórum).

Enquanto isso, Feliz Ano Novo a meus leitores e amigos.

AMBIENTES

Renato Mesquita, meu colega do fórum Escreva Seu Livro (desativado) que está lendo todos os meus livros chamou minha atenção para os ambientes às vezes restritos onde ponho minhas personagens para interagir. É uma observação curiosa, pois uma das características do gênero romance é a pluralidade de ambientes.

No meu texto comemorativo de 26 anos de carreira, contei como é possível dividir minha trajetória em quatro fases, e as características de cada uma. Um dos diferenciais para essa divisão é justamente o trabalho da ambientação. As duas histórias da primeira fase – O destino pelo vão de uma janela e O processo de Ser – realmente acontecem num ambiente bastante restrito: a residência da personagem e seus arredores, sendo que as cenas que acontecem na residência predominam. O mesmo se pode dizer das histórias da segunda fase – Pelo poder ou pela honra, O aro de ouro, Nem tudo que brilha… Nesses casos, o ambiente é como uma personagem figurante, pouco detalhada e pouco importante.
Quando chega a terceira fase – O maior de todos e Primeiro a honra – o ambiente começa a se expandir, os “arredores” tornam-se importantes e o espaço passa a ser trabalhado com mais detalhamento. Em O maior de todos, o castelo e a vila são macro-ambientes com pequeninas sub-divisões: os cômodos no castelo; a casa e as ruas na vila. Primeiro a honra tem três grandes focos: Orléans, Paris, Soissons, que marcam momentos importantes na história. Só Paris tem sub-divisões: a casa e a floresta. É o ambiente se tornando personagem secundária.
A quarta fase é curiosa pois, ao mesmo tempo que começa com Construir a terra, conquistar a vida, em que a cidade e seus eventos são personagens importantes também, tem A noiva trocada e Vingança com ambientes restritos. Não é sem motivo: essas duas histórias seguem uma estrutura que as aproxima do conto, gênero que tem por característica os ambientes restritos. Amor de redenção acontece na Espanha e no Brasil e, mesmo quando para no Rio de Janeiro, há pelo menos dois ambientes bastante importantes, sem contar os “arredores”. Não é cor-de-rosa é um pouco restrita também, embora haja o mundo de Caty e o mundo de Alex, a fábrica, a casa, o trem, a praça. O canhoto é desvario, nesse quesito de ambiente. Quase fico cansada só de pensar em por quantos lugares Nicolaas passou pois ele saiu de Bruges para a Terra Santa, tendo morado ainda em Antwerpen, Aachen e Gênova. De mãos dadas é difícil de analisar, porque ainda estou escrevendo mas há dois macro-ambientes – São Carlos e São Paulo – cada um com seus ambientes menores, bastante trabalhados, pois Toni é do tipo que vai do Tatuapé a Perdizes andando sem nem ao menos se cansar, então os muitos lugares de São Paulo são bastante presentes. A fazenda vai aparecer em detalhes na fase 3, em que Toni transitará pela casa dos pais, pela Casa Grande, pelo cafezal, além dos passeios com Rosa. Alcancei a pluralidade de ambientes que pede o romance.
Penso que venho desenvolvendo minha habilidade em explorar os recursos cênicos dos ambientes por onde andam minhas personagens. É um caminho longo e ainda incompleto. Mas estou aprendendo.