Tabelas

VIDA E MORTE

Acusam-me de matar muitas personagens em minhas histórias mas minha mania de tabelas tem outra opinião. Na verdade, em minhas histórias nasce muita gente. Se são 72 mortes em 59 histórias (conto apenas as que eu escrevi até o fim) – média de 1,22 mortes por história – são 66 nascimentos nas mesmas 59 histórias – média de 1,18 nascimentos por história. 
 
Há apenas oito histórias com três ou mais mortes: Juliana (4 mortes), Viagem sem volta (3 mortes), Mosteiro (4 mortes), O maior de todos (12 mortes, mas há que se considerar o período da Peste Negra e a trama de golpe de estado), Primeiro a honra (3 mortes), Vingança (8 mortes, mas há que se considerar que é uma história de vingança), O canhoto (4 mortes, como em Mosteiro), De mãos dadas (6 mortes, sem esquecer de considerar a Gripe Espanhola, que matou mais do que eu), totalizando 44 mortes só aqui.
 
Do outro lado, são cinco histórias com mais de três nascimentos: Juliana (4 nascimentos), Idade média (5 nascimentos), Tudo que o dinheiro pode comprar (4 nascimentos), Construir a terra, conquistar a vida (17 nascimentos), De mãos dadas (22 nascimentos), totalizando 52 nascimentos só aqui.
 
Percebe-se também que quanto maior o número de páginas, maior o número de nascimentos e menor o número de mortes: Construir a terra, conquistar a vida tem 895 páginas manuscritas, 2 mortes e 17 nascimentos; De mãos dadas tem 810 páginas manuscritas, 6 mortes e 22 nascimentos. Então, se há nascimentos como há mortes (para não falar na quantidade de personagens que nem nascem nem morrem durante as histórias), na verdade o que há em minhas histórias é um retrato mais ou menos real do que é a vida: pessoas nascem, vivem e morrem. Sem cobranças, sem culpas.
 

DE REPENTE, 30

Este mês faz 30 anos que eu resolvi que escrever histórias era uma atividade interessante e algo que eu gostaria de fazer intensamente. É claro que eu não podia imaginar que 30 anos depois eu estaria falando sobre isso, ainda mais num blog. Pois é, há 30 anos atrás, não existia internet e nem mesmo computador pessoal como os conhecemos hoje. Muita coisa mudou no mundo em 30 anos e eu também mudei muito durante esse tempo. Cresci, estudei, casei, mudei de casa várias vezes, aprendi muitas coisas, me tornei mãe. Minhas histórias acompanharam esse percurso de vida, crescendo, estudando, aprendendo, mudando, formando famílias. É interessante ver os textos que eu escrevia há 30 anos atrás. Pensando melhor, é tenebroso ver esses textos. Eu era apenas uma adolescente imatura e as histórias mal-contadas refletem isso. Hoje vejo adolescentes (meninos e meninas) de 14 e 15 anos que escrevem muito melhor do que eu escrevia com a mesma idade. Talvez porque eles estão intencionalmente escrevendo um romance e, portanto, conscientes e atentos à estrutura e aos elementos do gênero. Eu nunca escrevi livros; a vida toda escrevo histórias, que no decorrer da escrita se mostram contos, novelas e romances, e depois viram livros. Tudo realmente informal, no fluxo do inconsciente. Os elementos necessários aos gêneros vão entrando no texto devagar e de forma automática durante a escrita, ou analiticamente durante as revisões.
Meu método e procedimentos também mudaram, amadureceram, consolidaram-se e hoje são muito mais consistentes e refletidos do que há 30 anos atrás. Eu agora sei o que fazer com uma ideia, como construí-la e desenvolvê-la, como trabalhar os temas e amadurecer as personagens.
Os objetivos mudaram também e, se no início eu queria revolucionar a história da literatura brasileira, hoje fico feliz por escrever o que alguns chamam de literatura de entretenimento. Há um certo preconceito nessa denominação, como se fosse uma forma menor de literatura, mas hoje isso não me incomoda mais. O importante é fazer bem feito, e esse é meu empenho.
Chego então aos 30 anos com os seguintes números:
– 311 ideias registradas
– 141 histórias criadas (com começo, meio e fim)
– 23 histórias sobreviventes, que se dividem em:
            – 2 contos
            – 3 romances de cavalaria
            – 18 romances ou novelas
– 10 histórias suspensas (aguardando eu resolver algum problema estrutural para poder escrever)
– 20 histórias sobreviventes escritas
– 8 histórias publicadas: O destino pelo vão de uma janela, O processo de Ser, Pelo poder ou pela honra, O aro de ouro, Nem tudo que brilha…, O maior de todos, Primeiro a honra, A noiva trocada.
– 11 histórias na fila de publicação: Construir a terra conquistar a vida, Vingança, Amor de redenção, Não é cor-de-rosa, O canhoto, Biblioteca de Kerdeor (Romance em prosa do Cavaleiro de Nova Gália, História da vingança do bretão, Os Cavaleiros Cantores), O cisne (conto), Labirinto vital (conto), O Além (conto).
– 1 história escrita aguardando avaliação: De mãos dadas.
– 4 histórias aguardando para serem escritas: Rodrigo – que vai gerar 3 livros, Amnésia.
Durante esses 30 anos, passeei pelos gêneros – conto, crônica, novela, romance, poema – e por sub-gêneros – histórico, urbano atual, ficção científica, alegoria, policial, suspense, fantasia. Me diverti muito com todos eles, abandonei uns, demonstrei preferência por outros. A predileção pelo romance histórico parece óbvia mas não é real: também gosto bastante de ambientar histórias no presente da minha cidade; gosto de andar por onde minhas personagens andam, de ver o que elas veem. Gosto de me estender nos romances, mas também de ser rápida e objetiva nas novelas. Então, na verdade, apenas gosto de contar histórias, de preferência longas, em que as personagens possam desenvolver e mostrar suas personalidades, de forma que sejam amadas ou odiadas pelos leitores.

Não sei como estarei daqui a trinta anos, quantas histórias terei inventado, quantos livros estarão publicados. Mas espero poder voltar aqui (ou ao que existir na época, no lugar dos blogs atuais) para contar a vocês.

MAIS ORGANIZAÇÃO

Além da grande planilha índice e das duas tabelas quantitativas, explicadas neste texto aqui, eu também produzo listagens que me ajudam a ter as informações organizadas.

1) “Ordem em que terminaram de ser escritas”, com o título da história, número de páginas, número de capítulos, data final.

2) “Número de páginas por dia”, em que calculo, pelo número de páginas e pelos dias que levei para escrever, qual o número médio de páginas escritas por dia. Registra as informações de título da história, data final, data inicial, número de páginas, número de dias, média por dia. A maioria tem a média de 0,6 páginas por dia, mas as médias oscilam entre 11 e 0,3 páginas por dia. Essa média não significa que eu escrevo 0,6 páginas por dia e paro. Significa que, em alguns dias, eu escrevo três linhas; em outros, 10 páginas, e passo alguns dias sem tempo de escrever nada. Se eu pudesse dedicar uma ou duas horas do meu dia para escrever, minhas médias seriam muito mais altas. Mas, infelizmente, ainda não cheguei ao ponto de viver de literatura, então tenho que me contentar em escrever dentro do metrô, dentro do ônibus, na fila do banco, esperando o elevador, e eventualmente depois que minha filha dorme.

Há ainda uma “tabela curta”, em que constam apenas os sobreviventes, com as informações: título da história, gênero, cor, nome do arquivo com o texto, número de capítulos, número de páginas após digitação, número de páginas do livro publicado, ano de criação, época ou local em que se passa, tipo de romance (curto, longo, muito longo, Cavalaria), e se está registrado nos Direitos Autorais.

Tenho também um arquivo com “análise literária” das histórias sobreviventes (algumas foram descartadas depois), um arquivo de texto com o “motivo que me levou a escolher alguns nomes”, e agora quero também registrar o “motivo de escolha de algumas ambientações”, pois, assim como os nomes, as escolhas das épocas e locais têm motivos sólidos, que eu não quero esquecer (embora já tenha esquecido alguns).