Trilogia

NOVIDADES DE PROCESSO CRIATIVO

Pela primeira vez estou inventando uma história dividida em partes, que no final formação livros independentes. Eu não tinha noção de como é esse processo e estou descobrindo que, diferente do que eu pensava que seria, eu não vou criar todo o livro 1 primeiro, para depois me dedicar ao livro 2 e só então detalhar o livro 3. Como é uma história só, ela acontece toda ao mesmo tempo na minha cabeça. Eu até tento detalhar mais as cenas do livro 1 mas muitas vezes me pego detalhando cenas inteiras do livro 3 que, se tudo correr conforme o planejado, eu só vou escrever em 2017.
Além dos detalhes da ação, vou construindo os detalhes de caracterização das personagens. Rodrigo deve ser alto ou baixo? Tipo rebelde ou comportado? Gosta de rock, funk, pop ou música clássica? Torce para qual time de futebol? Como adolescente e púbere que é, deve ter espinhas nas bochechas? Cada escolha dessas me abre um leque de comportamentos e falas possíveis para usar e eu, na verdade, gosto de experimentar todos eles antes de me decidir por algum.

E assim vou, experimentando e detalhando devagar, construindo personalidades e recriando o mundo em que Rodrigo e Ângela vão viver e se encontrar.

TRILOGIA x COLETÂNEA

Meus leitores mais atentos podem ter ficado surpresos quando eu disse que a história de Rodrigo é minha primeira trilogia, e podem ter se perguntado “Mas e a Biblioteca de Kerdeor? Não são também três livros reunidos?” Sim, são, e é exatamente essa a diferença entre os dois. Por que eu chamo Kerdeor de coletânea e chamo Rodrigo de trilogia?
A estrutura de formação dos dois conjuntos é distinta. Kerdeor é um agrupamento de três livros com protagonistas diferentes, com objetivos diferentes, reunidos em um tomo único pela característica de serem novelas de cavalaria. Já a história de Rodrigo são também três livros mas com o mesmo protagonista, com muitas personagens em comum, contando uma mesma história dividida em três pedaços. A publicação de Kerdeor será feita em um tomo; a publicação da história de Rodrigo será feita em três tomos, um para cada livro.

É por isso que, embora eu já tenha um conjunto com três livros, Rodrigo é a primeira experiência com uma história dividida em mais de um livro.

A PRIMEIRA

Em outubro de 2014 aconteceu minha primeira trilogia. É a história de Rodrigo (ainda sem título). Começou em 2011, despretensiosamente, com a história de um adolescente “bom moço” que se apaixona por Ângela, uma colega de escola que não se enquadra em certos padrões da sociedade. Ele se torna alvo de críticas por parte dos amigos e da família e tem que escolher entre viver esse amor enfrentando o mundo, ou reenquadrar-se socialmente e trocar de namorada.
Era só isso, uma historinha simples e até boba. Mas, como eu sempre gosto de saber como vai ser a vida de minhas personagens depois que eu ponho o ponto final (já falei sobre isso neste texto aqui), de repente me vi imaginando a vida de Rodrigo no final da faculdade (seis anos depois da história original), ainda sofrendo os efeitos da escolha que ele fez no primeiro livro. E, por causa da escolha feita, ele agora se depara com uma nova escolha a fazer. As cenas começaram a se formar na minha mente e, quando percebi, tinha um segundo livro, com estrutura fechada (início, meio e fim) em continuação ao primeiro livro.
Estava feliz por ter feito uma história com continuação – fato inédito – mas quis saber o que aconteceria mais para frente e assim nasceu o terceiro livro, que encontra Rodrigo adulto, profissional com carreira em desenvolvimento, casado e com um filho, vivendo novamente um momento de crise e tendo que escolher o rumo de sua vida – só que agora a decisão dele se reflete em toda a família, o que torna a tarefa mais difícil.

Cheguei a pensar em juntar tudo num livro só – que é mais a minha característica, mas cada volume tem sua estrutura fechada, seu problema central, seu clímax. Os eventos do livro 1 não são ação ascendente para o clímax do livro 3. Ou seja, são realmente três livros independentes contando as vidas das mesmas pessoas – sim, as famílias, alguns amigos e também Ângela estão nos três volumes. Agora que terminei de escrever De mãos dadas, é hora de me dedicar a contar a história de Rodrigo. Estou detalhando as cenas e ajustando os detalhes e pretendo começar a escrever ainda este ano. Como cada livro dura menos de um ano, e me parece que têm estrutura de novela, devo conseguir escrever todo o livro 1 este ano. Espero.